domingo, 13 de dezembro de 2009

O significado do fracasso na vida de um cristão

William Lane Craig

Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira.

Eu sou cristão há mais de trinta anos. Eu acho que, em minha vida cristã, tomei conta de alguns milhares de serviços da igreja, centenas de serviços religiosos no Wheaton College, e grande número de assembléias cristãs em retiros, conferências, e assim por diante, mantidas pela Campus Cruzade e outros grupos. Ainda durante este tempo todo, eu nenhuma vez- nem uma única vez nas milhares de assembléias nestes mais de trinta impares anos - ouvi um orador discursar sobre o assunto ‘fracasso’. Na realidade, eu provavelmente não refletiria seriamente no problema se não tivesse um fracasso esmagador que me impeliu a enfrentar o problema pessoalmente.

A falta de tratamento deste assunto, por parte de oradores cristãos, não é devido a qualquer falta de importância do assunto. Qualquer cristão que fracassou em algum momento sabe quão devastadora a experiência pode ser e as perguntas que surgem são: Onde Deus está? Como Ele pode deixar isto acontecer? Eu estou fora da vontade dele? O que eu faço agora? Deus realmente se preocupa ou existe? Essas são perguntas agonizantes. Qual é o significado de fracasso para um cristão?

Tratando deste problema, me parece que nós precisamos primeiro distinguir dois tipos de fracasso: fracasso na vida cristã e fracasso na vida de um cristão. Por fracasso na vida cristã, eu quero dizer um fracasso do crente no relacionamento e na caminhada com Deus. Por exemplo, um Cristão poderia sofrer decepção e fracasso devido a uma rejeição em atender a chamada de Deus, ou sucumbindo à tentação, ou por se casar com um não-cristão. Fracasso deste tipo se deve ao pecado. É essencialmente um problema espiritual, uma questão de moral e fracasso espiritual.

Diferentemente, o fracasso na vida de um cristão não tem relação com considerações espirituais. Não se deve ao pecado na vida de um crente. É uma derrota pessoal que sucede no viver diário da experiência cristã. Por exemplo, um homem de negócios cristão poderia falir, um atleta cristão poderia ver seus sonhos juvenis despedaçados quando ele falha em passar para a Liga Principal, um estudante cristão poderia fracassar na escola apesar dos seus melhores esforços para ter sucesso, ou um operário cristão poderia se achar desempregado e incapaz de conseguir um emprego. Tais casos não são exemplos de fracasso na caminhada de uma pessoa com Deus, mas exemplos de fracasso no curso ordinário da vida. Eles acontecem nas vidas das pessoas que são cristãs.

No livro best-seller Fracasso: A Porta dos fundos para Sucesso, Erwin Lutzer trata da distinção que eu estou tentando fazer aqui. Ele atribui o fracasso na vida cristã à cobiça da carne (satisfação sexual), ao orgulho (egoísmo), ou à luxúria (cobiça). Fracasso na vida de um cristão que não está relacionado a esses elementos faz parte da vida. Lutzer não encontra nenhuma dificuldade particular com o segundo tipo de fracasso, mas ele considera o primeiro tipo de fracasso problemático. Ele escreve:

O que causa fracasso? O que faz um homem chegar ao final da vida e admitir que viveu em vão? O que motiva um homem para se suicidar porque ele não é tão talentoso quanto os outros? O que faz um homem arriscar o seu testemunho cristão e ter um caso com a esposa do seu vizinho? A resposta: Pecado - especificamente, orgulho, cobiça ou desejo sensual.

Naturalmente, há fracassos bastantes sem conexão com motivações pecadoras: um estudante poderia fracassar na escola, um homem poderia fazer um investimento pouco inteligente. Muitas pessoas têm fracassado nos seus trabalhos ou simplesmente não alcançaram suas metas. Nós não devemos minimizar este tipo de fracasso, mas no final das contas não é tão sério quanto o fracasso espiritual.1

Lutzer dedica o livro inteiro dele ao fracasso na vida cristã, o primeiro tipo de fracasso, porque ele pensa que este tipo de fracasso tem conseqüências mais sérias que o segundo tipo de fracasso. Em um sentido é verdade: a pessoa é moralmente culpada pelo fracasso devido ao pecado. Fracasso na vida cristã quebra o companheirismo da pessoa com Deus e tem conseqüências eternas. Nós precisamos confessar este tipo de fracasso a Deus ou nós seremos responsabilizados e julgados por isto. Assim, em última instância, as conseqüências do fracasso na vida cristã são mais sérias que os fracassos ordinários que acontecem em nossas vidas.

Por outro lado, contudo, em termos de conseqüências cotidianas no mundo no qual nós vivemos, não é sempre verdade que o primeiro tipo de fracasso tem as conseqüências mais sérias. Por que se nós não soubermos responder corretamente a eles, o fracasso na vida de um cristão pode devastar mais até mesmo do que o fracasso que ocorre especificamente por causa de nosso pecado.

Agora eu não tenho nenhuma dificuldade particular em compreender o fracasso na vida cristã. Naturalmente, pecado resulta em fracasso! Que mais nós poderíamos esperar? Nem a solução a este tipo de fracasso é difícil entender: arrependimento, confissão, fé e obediência. Assim eu não considero o fracasso na vida cristã confuso, especialmente quando eu reflito na fraqueza de minha própria carne. Não é surpreendente que nós pequemos e falhemos.

Mas o segundo tipo de fracasso é problemático pra mim. Quando alguém está caminhando em fé e obediência a Deus, como ele pode ser conduzido à cova do fracasso? Pense nisto. Como posso ser conduzido ao fracasso obedecendo a Deus? Realmente, isto é confuso. Então, eu quero focalizar nossa atenção neste segundo tipo de fracasso, o fracasso na vida de um cristão, e ver se nós podemos vir a entender isto.

Por muitos anos eu tive o ponto de vista que cristãos que estão caminhando com Deus basicamente não podem fracassar. Talvez eu fosse excessivamente ingênuo, mas eu não penso assim. Eu havia levado em conta a questão e havia até mesmo qualificado minha posição em vários pontos importantes. Por exemplo, eu distingui fracasso de perseguição. A Bíblia é clara que pessoas que estão tentando para viver vidas religiosas em Cristo Jesus experimentarão perseguição, e Jesus disse que eles serão abençoados por isto. Cristãos que morreram em campos de concentração por causa da sua fé ou que perderam trabalhos ou foram discriminados porque eles eram cristãos, não se pode dizer que fracassaram.

Eu também distingui fracassos de provações. A Bíblia é clara que como cristãos nós não somos isentos de provações e que tais provações produzem maturidade e perseverança. Sem provações nós permaneceríamos crianças mimadas e despreparadas. Mas eu acreditei que, se nós suportássemos nossas provações confiando na força de Deus, Ele nos veria e nos traria vitoriosamente ao outro lado. Basicamente, não tinha sentido, pra mim, dizer que Deus chamaria uma pessoa para fazer algo e então - quando aquela pessoa fosse obediente ao chamado e estivesse confiando na força de Deus - lhe permitisse fracassar.

E, de fato, há algum apoio Bíblico para a posição que eu tomei. Olhe o que o Salmo 1:1-3 diz:

“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.”

O que poderia ser mais claro? Em tudo que ele faz, prospera! Entretanto, eu sofri um fracasso pessoal desastroso que me forçou a repensar nesta passagem inteira. Aconteceu enquanto Jan e eu estávamos morando na Alemanha Ocidental e eu estava terminando meu doutorado em teologia na Universidade de Munique, sujeito à orientação do famoso teólogo Wolfhart Pannenberg. Minha dissertação já havia sido aprovada e tudo que restava era passar no exame oral em teologia (ominosamente chamado o Rigorosum). Não sabendo o que esperar, eu tentei conseguir, repetidas vezes, uma entrevista com Pannenberg para discutir o exame e como eu poderia me preparar para ele. Mas eu não tive sucesso em vê-lo (professores alemães tendem a ser muito mais reclusos que as suas contrapartes americanas). Assim, eu fui ao seu assistente, um jovem e brilhante teólogo que havia ganho o doutorado dele sujeito a Pannenberg. Ele ignorou a idéia de me preparar para o exame. “Esqueça!” ele avisou. Bem, eu não era estúpido, assim eu o pressionei mais sobre como eu poderia preparar. “Pannenberg sempre faz só perguntas em cima dos próprios escritos”, ele respondeu. “Basta ler o que ele escreveu.”

Aquilo me parecia ser uma boa estratégia, e então durante as várias semanas seguintes eu li e estudei virtualmente tudo o que Pannenberg já havia escrito. Eu me sentia confiante de que havia dominado o pensamento dele.

No dia do exame eu entrei no escritório de Pannenberg. Ele entregaria o seu exame, e o processo seria monitorado e seria registrado pelo reitor da faculdade de teologia e um outro professor de teologia. Nós demos um aperto de mão e nos sentamos para o interrogatório começar.

Quase imediatamente coisas começaram a dar errado. Pannenberg começou a fazer perguntas sobre assuntos que não foram discutidos nos escritos dele. Ele começou a perguntar pelas particularidades da teologia deste ou daquele homem. E eu não pude responder as perguntas. Novamente eu tive que confessar minha ignorância. Eu não posso transmitir a você o sentimento de desamparo e medo que me varreram. Pergunta após pergunta, eu percebi que estava assistindo meu diploma de doutorado fugir, e – tal como tentar agarrar areia que desliza pelos seus dedos - não havia nada que eu pudesse fazer para parar isto. Esta tortura continuou por quase uma hora. Próximo ao término do tempo da prova, somente para fazer meu fracasso ser patentemente evidente, Pannenberg fez um par de perguntas condescendentemente fáceis, como para se rebaixar ao meu nível de conhecimento. Minha humilhação estava completa.

Desolado, eu deixei o departamento de teologia para encontrar Jan e sair para jantar em um restaurante onde nós dois havíamos planejado celebrar. Ela veio apressada a mim, sorrindo, com um olhar de expectativa nos olhos. “Mel - eu fracassei”, eu disse. Ela não podia acreditar. Era logo antes o Natal e no dia 23 nós havíamos planejado voar de volta aos Estados Unidos para visitar minha família e começar a ensinar na Trinity Evangelical Divinity School em Deerfield, Illinois, depois do Ano novo. Agora, nós íamos para casa em derrota. Como que para adicionar injúria ao insulto, no vôo de volta, a Lufthansa perdeu nossa máquina de escrever da IBM, a bolsa da Jan, que estava cheia de valiosas jóias, foi roubada e eu perdi minhas lentes de contato!

Mas essas perdas materiais não eram nada comparadas ao tumulto que eu sentia dentro de mim por perder meu doutorado. Eu não entendia como Deus podia ter deixado isto acontecer. Ele havia nos chamado para a Alemanha e milagrosamente havia provido as finanças para meu estudo. Nós estávamos caminhando na vontade Dele; eu estava certo disto. Eu não havia sido negligente ou super confiante. Eu tinha tentado freqüentemente ver Pannenberg com antecedência, mas ele sempre estava muito ocupado para mim, assim, eu me preparei do melhor modo que eu sabia. Mas especialmente, nós tínhamos orado seriamente e fielmente para este exame e havia outros, cristãos cheios do Espírito nos Estados Unidos, orando para isto também. O exame foi completamente justo, eu não podia negar isso. Eu fracassei, isso é tudo. Mas como Deus podia ter deixado isto acontecer? E as promessas dele? “e tudo quanto fizer prosperará”.”Tudo que você pedir em meu nome…”.

Não era só o meu fracasso no exame. Mais que isto, meu fracasso foi uma crise espiritual na fé para mim. Eu sentia dor e vergonha, mas até mesmo mais, eu me sentia traído por Deus. Como eu poderia confiar novamente nEle?

Como eu trabalhei meus sentimentos nos dias seguintes, ficou claro a mim que Salmos 1:1-3 não pode ser interpretado como algum tipo de promessa geral que ampara todo caso. Cristãos sem sempre prosperam no que eles empreendem. Às vezes eles fracassam, e isso é fato.

Agora alguém poderia dizer, “Você não pode usar experiência humana para anular a Palavra de Deus! As promessas dele são indiferentes a sua experiência”.Mas o problema com esta resposta é que a Bíblia dá exemplos de tais fracassos. Por exemplo, Deus havia prometido dar a terra de Canaã às doze tribos de Israel. Mas em Juízes 1:19, nós lemos, “E estava o SENHOR com Judá, e despovoou as montanhas; porém não expulsou aos moradores do vale, porquanto tinham carros de ferro”.Olhe para o que diz aqui: o Deus estava com os exércitos de Judá - mas apesar deste fato, embora eles tivessem conquistado a colina do país, eles não derrotaram o inimigo deles nas planícies porque eles tinham carruagens férreas! Não parece fazer sentido: Deus estava com eles e mesmo assim fracassaram. Como nós compreendemos tal fracasso na vida do crente?

Agora algumas pessoas poderiam responder essa pergunta afirmando que Deus não tem nenhuma vontade específica para nossas vidas. A vontade geral de Deus é que nós obedeçamos a seus comandos éticos e espirituais, que nós nos aproximemos do caráter de Cristo, e assim sucessivamente. Mas Ele não tem nenhuma vontade específica para pessoas individuais que incluem conseguir um doutorado, se casar com certa pessoa ou entrar em um negócio empresarial particular. Assim quando nós empreendermos essas coisas, nós fazemos tão completamente por nossa própria iniciativa e bem pode virar em fracasso.

Mas esta solução me parece inadequada, apesar de sua aparente simpatia para muitas pessoas. Em primeiro lugar, insinua um conceito deficiente da soberania, providência e orientação de Deus. Embora a Bíblia ensine liberdade humana, também tem uma forte ênfase no controle soberano de Deus e direção providencial sobre tudo o que acontece. Nada acontece no mundo sem que Deus ou deseje diretamente, ou, no caso de atos pecadores, seja pelo menos permitido. Além disso, Deus tem organizado o mundo tão providencialmente que os fins dele serão realizados pelas coisas que nós decidimos empreender. Nossas decisões, então, não podem ser problemas indiferentes a Ele. Além disso, Ele prometeu nos guiar no que decidimos. Tudo isso sugere que Deus tenha uma vontade específica para nossas vidas.

Mas deixando este ponto de lado, em segundo lugar, a solução proposta atualmente não vai, de fato, ao coração do problema. Mesmo que Deus não tenha uma vontade específica para nossas vidas, ainda resta que Ele prometeu estar conosco, nos capacitando e nos ajudando. Isso é porque o exemplo em Juízes é tão confuso. Deus estava com eles, mas ainda assim fracassaram. Então, mesmo se Deus não tiver nenhuma vontade específica para nossas vidas, aquele silêncio não explica como nós podemos fracassar em coisas que nós decidimos fazer na força Dele.

E assim eu fui conduzido ao que era, para mim, uma nova e radical idéia da vontade de Deus, a saber, que a vontade de Deus para nossas vidas pode incluir fracasso. Em outras palavras, a vontade de Deus pode querer que você falhe, e Ele pode te conduzir ao fracasso! Pode haver coisas que Deus tem que te ensinar com fracassos que Ele nunca poderia te ensinar com sucessos.

No meu próprio caso, fracassar em meus exames doutorais forçou-me a ver as prioridades de minha vida sob uma nova luz. Quando nós voltamos aos meus parentes para o Natal, eu dei as notícias a meus pais de que eu havia falhado em meu exame oral e não recebi o doutorado. Para minha surpresa, replicou minha mãe, “Quem se preocupa?” Eu fiquei atordoado! Para mim parecia a catástrofe da minha existência, mas ela só encolheu os ombros como se não importasse. Começou a manifestar-se em mim que, em um sentido, não importava mesmo, que há coisas na vida muito mais importante que doutorados, publicações, e fama acadêmica. No fim, são as relações humanas que realmente importam - especialmente as familiares.

Minha mente voltou-se para um cientista que havíamos encontrado na Alemanha, que estava há muitos anos divorciado e que quis com todo o seu coração voltar à sua esposa e filhinho. “Quando eu era recém-casado”, ele nos falou, “eu gastei todo meu tempo no laboratório. Tudo do que eu poderia pensar era minha investigação, à exclusão de qualquer outra coisa ou qualquer outro”. Parecia tão importante a ele, então. Mas agora ele soube que não era. “Eu fui um bobo”, disse ele. E assim, eu também percebi agora, mais uma vez, as bênçãos que eu tive em uma esposa fiel que havia se sacrificado e trabalhado comigo todos esses anos em que eu estive na escola; e nos pais amorosos que me aceitaram, incondicionalmente, só porque eu era o filho deles. Aquele Natal marcou o começo de uma nova relação com meus parentes. Jan e eu viemos os conhecer não somente como pais, mas como amigos.

Veja, eu realmente não tinha entendido o que o verdadeiro sucesso é. Verdadeiro sucesso não é alcançar riqueza, poder ou fama. O verdadeiro sucesso está no reino do espiritual, ou mais especificamente, está em conseguir conhecer melhor a Deus. J. I. Packer expressa sucintamente este pensamento em Conhecendo Deus:

Nós fomos trazidos ao ponto onde ambos podemos e devemos obter as prioridades de nossa vida de forma definida. Das publicações cristãs atuais você poderia pensar que o item mais vital para qualquer verdadeiro ou pretenso Cristão no mundo hoje é a união da igreja, ou o testemunho social, ou o diálogo com outros cristãos e outras fés, ou refutando este ou aquele “ismo”, ou desenvolver uma filosofia ou cultura cristã, ou o que você quiser. Mas nossa linha de pensamento faz com que a atual concentração nestas coisas se pareça com uma conspiração gigantesca de má direção. Naturalmente, não é isso; os seus problemas são reais e devem ser tratados no seu lugar. Mas é trágico que, dando atenção a eles, tantos de nossos dias pareçam tirar a atenção do que era, é e sempre será a verdadeira prioridade para todo ser humano – isto é, aprender a conhecer Deus em Cristo.2

A primeira vez que eu li esta declaração, me surpreendi: “refutando este ou aquele “ismo” ou desenvolvendo uma filosofia cristã.” Exatamente o tipo de coisa que eu faço na vida! E ainda não é o mais importante. A pessoa poderia ter sucesso nisto e ainda, na visão de Deus, ser um fracassado.

Isto me trouxe à mente um pensamento que Lutzer disse que veio assombrá-lo, sendo ele um pastor ocupado: “Você pode não estar realizando tanto quanto você pensa que está.” Nós podemos estar fazendo muitas coisas para Deus e ainda não ser o tipo de pessoa que Deus deseja que nós sejamos. Realmente, meu maior medo é que eu poderia algum dia me colocar diante de Deus e ver todos meus trabalhos subirem em fumaça como “madeira, feno e palha.” Afinal de contas, o que disse Jesus? - “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros.” Não é nenhum sucesso aos olhos do mundo que, no final das contas, interessa, mas o sucesso aos olhos do Deus.

Agora estou animado e convicto. Por um lado, animado porque embora nós fracassemos, o fracasso pode ser a melhor parte do sucesso aos olhos de Deus. Eu tenho uma intuição de que Deus não se interessa tanto pelo que nós passamos quanto por como nós passamos pelos fracassos. Embora possamos falhar na tarefa que temos a intenção de fazer, se respondemos àquele fracasso com fé, coragem e dependência na força do Deus, ao invés de desespero, amargura e depressão, será contabilizado como um sucesso nosso na visão dele.

Por outro lado, estou convicto porque podemos pensar que nós estamos realizando muito, quando de fato estamos fracassando na visão do Deus. O apóstolo Paulo reconheceu que ele podia ser um teólogo brilhante e talentoso, que vivesse em pobreza por causa da sua generosidade e fosse martirizado até mesmo por pregar o evangelho, e ainda, se lhe faltasse amor, não seria nada na visão de Deus. O verdadeiro sucesso é encontrado em amar a Deus e a nossos próximos.

Bem, que aplicação prática tem tudo isso para nossas vidas? Podem ser dadas duas opiniões.

Primeiro, nós precisamos aprender com nossos fracassos. Quando fracassamos, nós não deveríamos adotar a atitude de ‘uvas azedas’ da raposa, na fábula de Esopo. Ao invés, nós deveríamos analisar nosso fracasso para ver que lição podemos aprender dele. Isso não significa tentar entender por que Deus permitiu isto acontecer. Em muitos casos, nunca saberemos o porquê. Muitos cristãos entram no que Packer chama de “erro da caixa sinalizadora York.”3 A malha ferroviária na cidade de York tem uma sala de controle principal que contém um painel eletrônico que exibe em luzes a posição de todo trem na malha. Alguém na torre de controle, que vê o painel inteiro, pode entender justificadamente por que um trem particular foi posto em espera em um ponto, ou porque outro foi movido para outro lugar em um desvio, embora para alguém, lá embaixo nos trilhos, os movimentos dos trens possam parecer inexplicáveis. O Cristão que quer saber por que Deus permite todo fracasso na vida dele está solicitando, Packer diz, estar na “caixa sinalizadora” de Deus, mas ainda, para melhor ou para pior, nós não temos acesso a ela. Então, é insensato torturar a si mesmo por querer saber o porquê que Deus permitiu este ou aquele desastre entrar em nossas vidas.

Mas posto que nós nem sempre discernimos ou compreendemos o projeto providencial de Deus, ainda podemos aprender com nossos fracassos. Como diz Lutzer, “não é necessário saber por que Deus nos enviou o infortúnio para ganhar com ele.”4 Pergunte a si mesmo o que você podia ter feito diferentemente em sua situação ou o que poderia fazer diferentemente da próxima vez. Pergunte a si mesmo que tipo de reação Deus quer que você tenha, ou que característica de caráter pode ser desenvolvida em você como resultado da derrota. Aprenda de seu fracasso.

Segundo, nunca se renda. Só porque você fracassou, não está tudo perdido para ti. Aqui, o exemplo de um homem como o Presidente Theodore Roosevelt é instrutivo. Fraco e doente como um menino, Roosevelt batalhou para alcançar grandes coisas, o único Presidente a ser homenageado com a Medalha Parlamentar de Honra pelo seu valor no campo de batalha. Roosevelt declarou,

O crédito pertence ao homem que está de fato na arena, cuja face é arruinada pelo pó, suor e sangue; que se esforça valentemente; que erra, que fracassa repetidas vezes, porque não há nenhum esforço sem erros e falhas; mas que se esforça para fazer as obras; que identifica os grandes entusiasmos, as grandes devoções; que gasta a si mesmo em uma causa merecedora; que na melhor das hipóteses conhece, no final, o triunfo de uma grande façanha, e que na pior das hipóteses, se fracassar, pelo menos fracassa com grande coragem, de forma que o lugar dele nunca estará com essas almas frias e tímidas que nem não conhecem vitória nem derrota.

Você não está liquidado só porque fracassou. Você só está liquidado se render e desistir. Mas não desista! Com a força de Deus, apanhe os pedaços de seu fracasso e, havendo aprendido disto, vá adiante.

Isso é o que nós fizemos em nosso caso. Em universidades alemãs, se você abandonar os exames orais na primeira vez, você pode retomar. Jan e eu soubemos que podíamos tentar novamente, e nossos amigos nos encorajaram para que o fizéssemos. Assim, depois de começar a ensinar na Trinity, eu passei o próximo ano inteiro preparando-me novamente para o Rigorosum. Eu estudei completamente a prodigiosa obra de Harnack, de três volumes do Dogmengeschichte, a História do Desenvolvimento de Doutrina multi-volume de Pelikan, a História de Doutrina cristã Cunliffe-Jones, Dogmengeschichte de Loof, dois extensos guias de estudo em geral de Teologias dogmáticas preparadas para estudantes de universidade alemães em teologia, como também estudei os documentos dos vários conselhos e credos da Igreja, leituras dos Pais da Igreja, trabalhos de teologia contemporânea, e assim sucessivamente. Passado o tempo de um ano, eu tinha uma pilha de notas, a qual eu havia virtualmente memorizado e estava preparado para responder perguntas em qualquer área da teologia sistemática - seja cristologia, antropologia, soteriologia, ou tudo isto - dos antigos Apologistas aos da Idade Média, da Reforma, do Iluminismo e do século XX. Eu estava pronto. Mas estava morto de medo.

Nós voltamos à Alemanha no verão seguinte, e deixei Jan em Berlim enquanto viajei de trem para Munique, para o exame. Quando entrei no escritório de Pannenberg, tudo aparentava estar quase a mesma coisa de antes. Mas desta vez, era diferente. Pannenberg começou com a doutrina da Trindade, iniciando com a doutrina do Verbo dos Apologistas antigos. E para minha alegria (a qual eu mal podia esconder!), como o exame continuou a desdobrar-se, eu me achei respondendo prontamente a cada pergunta com respostas completas e precisas. A única pergunta na qual tropecei era uma sobre por que a doutrina de Hegel da encarnação requeria a morte de Deus - e eu não me senti tão mal por perder aquela! O próprio Pannenberg estava claramente encantado com meu sucesso e me premiou com um de magna cum laude no exame. Eu estava dançando no ar!

Assim, foi uma vitória para Deus, no fim. Mas a vitória não foi somente passar no exame. Foi a fim de, sem mencionar as lições espirituais que Deus me ensinou, eu descobrir uma verdade muito sensata. Como tantos outros estudantes americanos, eu havia sido angustiadamente treinado em seminário na história da doutrina cristã. A formação em teologia sistemática que os seminários evangélicos americanos geralmente dão para os seus estudantes é apenas uma sombra pálida do que estudantes universitários alemães de teologia recebem. É, então, alguma maravilha a cética teologia alemã moldar o mundo? Como nós podemos esperar que teologia evangélica se torne um modelo principal a menos que nós comecemos a treinar nossos estudantes com o mesmo rigor e eficácia que caracterizam a instrução teológica alemã? Eu posso dizer, sem hesitação, que durante aquele ano de intenso estudo, eu aprendi mais sobre teologia sistemática do que durante minha formação de seminário inteira. Assim, embora eu nunca quereria reviver minha experiência, eu posso dizer honestamente que eu estou alegre que eu fracassei. Era para o melhor, porque como resultado daquele fracasso eu fui equipado teologicamente de certo modo para o serviço do Deus que nunca teria sido possível se eu tivesse passado.

E eu estou muito alegre por não termos desistido. Suponha que tivéssemos nos rendido. Digamos que na humilhação do meu fracasso, eu tivesse perdido a esperança e não tivesse tentado prestar o exame pela segunda vez. As dores agudas de derrota teriam me assombrado toda vez eu pensasse em meu fracasso ou abrisse um livro de teologia sistemática. Eu não teria tido aquele ano de estudo intensivo e eu teria permanecido em meu estado anêmico de conhecimento teológico. Os anos teriam passado e eu teria me feito continuamente a pergunta: Eu deveria ter tentado novamente? Até mesmo se eu tivesse tentado e tivesse abandonado a segunda vez, eu ainda teria sido melhor se desisitisse. Parafraseando um velho lema em um contexto diferente: É melhor tentar e ter fracassado do que não ter tentado.

Assim, quando você encontrar o fracasso, não se renda. Peça a força de Deus para ir além. Ele a dará a você. Na realidade, há um nome bíblico para esta qualidade. É chamada de perseverança. Pelo fracasso, se você responder corretamente, Deus pode construir a qualidade da perseverança em sua vida.

O fracasso na vida de um Cristão, então, não deveria nos pegar de surpresa. Deus tem coisas importantes para nos ensinar pelo fracasso - e o verdadeiro sucesso, o sucesso que conta para eternidade, consiste em aprender essas lições. Assim, quando você fracassar, não se desespere ou pense que Deus o abandonou; antes, aprenda de seus fracassos e nunca se renda. Esta é a fórmula para o sucesso.

Notas

1 Erwin Lutzer, Fracasso: A porta dos fundos para o sucesso (Chicago: Moody, 1975), pp. 41-42.

2 J. I. Packer, Deus onisciente (Londres: Hodder & Stoughton, 1973), p. 314.

3 Ibidem., pp. 110-11.

4 Lutzer, Fracasso, p. 66.

domingo, 29 de novembro de 2009

Eu recomendo


Sinopse

O polêmico livro que mexeu com os fundamentos científicos

Por quê? Ele demonstra que a teoria da evolução não tem sua base em fatos, mas na fé – fé no naturalismo filosófico. Phillip Johnson argumenta corajosamente que simplesmente não há um vasto corpo de dados que dêem suporte à teoria.

Com o clima intrigante de um mistério e detalhes que nos prendem como ao assistirmos a um julgamento, Johnson conduz o leitor através das evidências com a perícia de um advogado, a qual ele adquiriu como professor de Direito em Berkeley, especializando-se na lógica dos argumentos.

“Qual a razão pela qual uma editora cristã lança no mercado a tradução de uma obra contra o evolucionismo escrita em 1993, portanto com 15 anos de atraso? A principal razão é a sua pujança e relevância. Apesar dos 15 anos de idade, o livro de Phillip Johnson continua atualíssimo. Pouca coisa surgiu nesse período que inovou a apologética antievolucionista além do que Johnson tem feito”.
Augustus Nicodemus Lopes
da apresentação

Phillip E. Johnson é graduado em Harvard e na Universidade de Chicago. Ele foi oficial de direito do presidente do Superior Tribunal Earl Warren e ensinou por mais de trinta anos na Universidade da Califórnia, Berkeley, onde é professor emérito de Direito.



Sinopse:
Será que realmente somos resultados de um caldo
primordial, que poderia ter existido a bilhões de anos atrás? Será que
o Universo, que possui mais estrelas do que todos os grãos de areia de
todas as praias e de todos os desertos do nosso planeta Terra, com toda
a sua beleza exuberante e leis precisas, teria sido apenas fruto de um
acidente cósmico conhecido por big bang a 13,7 bilhões de anos atrás?
Ao nos depararmos com a complexidade do código genético (DNA), contendo
mais de três bilhões de letras perfeitamente organizadas, altamente
codificado e eficientemente armazenado, capaz de criar sistemas com
tamanha complexidade e design, como o corpo humano, seria concebível
aceitar que tal codificação teria sido apenas fruto do acaso?
Perguntas inquietantes que urgem por respostas. Aqui, você encontrará
algumas delas.





SINOPSE

A teoria da evolução de Darwin é em geral aceita pelos cientistas. Contudo, desde que Watson e Crick abriram o campo da bioquímica, a ciência vem vivendo um clima de frustração, tentando conciliar as descobertas espantosas deste campo moderno com uma teoria do século XX que não pode explicá-las. Com a publicação de A caixa preta de Darwin, é tempo de os cientistas se permitirem examinar novas e extraordinárias possibilidades, e de ficarmos de sobreaviso com o que vão descobrir.






Francis Collins afirma que há uma base racional para crer na existência de um Criador e que todos descobrimentos científicos "aproximam o homem de Deus". Collins, que dirigiu o Projeto Genoma juntamente com Craig Venter, é autor de A Linguagem de Deus onde relata sua história pessoal e a relação entre ciência e fé. A diferença entre Collins e Venter (que está no mundo dos negócios atualmente) é que Collins continua dirigindo o NHGRI - sigla em inglês que significa Instituto de Pesquisa de Genoma Humano nos EUA. Segundo o autor, "Uma das grandes tragédias do nosso tempo é a impressão que se criou de que ciência e religião devem estar em guerra". Partindo de sua experiência, Collins afirma que decifrar o genoma humano não criou um conflito em sua mente, porém lhe permitiu verificar os trabalhos de Deus (...) "O problema é que nos últimos 20 anos, com muita freqüencia, as vozes que são ouvidas nos debates públicos sobre estes temas são aquelas que defendem posições extremas." Collins afirmou que era ateu até que, nos primeiros anos no exercício da medicina, comprovou a força que a fé transmitia a vários de seus pacientes nos estados mais críticos. Impressionados por esses exemplos, pediu conselhos a um ministro metodista, que lhe recomendou a leitura de Cristianismo Puro e Simples de C.S. Lewis - um livro que mudou sua vida.


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Fundadoras do Espíritismo confessam que ele é falso

Matéria extraída de uma ou mais obras literárias

A história de um “fantasma” que, través de pancadas nas paredes de madeira e no assoalho de uma velha casa, entrou em contato com as meninas Margareth e Kate Fox, respectivamente de 12 e 09 de idade, é apresentada como o “fenômeno” que marcou o início oficial do espiritismo moderno. Essa história, tida como verdadeira, tem sido utilizada em livros, revistas e jornais, tanto por escritores espíritas, como por intelectuais de outras confissões religiosas, inclusive por evangélicos – o que é de se lamentar.
Pois na verdade o que aconteceu na vila de Hydesville, no Estado de Nova Iorque, EUA, em 1847 (dez anos antes de Allan Kardec lançar na França “O Livro dos Espíritos”), envolvendo um “fantasma” e aquelas duas meninas, não foi o que os espíritas chamaram de “o início da comunicação dos seres além-túmulo com o mundo dos vivos”.

O que ocorreu na verdade naquela velha casa habitada por um casal de cristãos metodistas, que tinha como filhas as meninas Margareth e Kate Fox, não passou, inicialmente, de uma brincadeira das meninas para impressionar a ingênua e supersticiosa senhora Fox; mas essa brincadeira resultou em uma sessão de fenômenos enganosos, em uma história elaborada com astúcia, cuja trajetória e desfecho serviram aos desígnios do Pai da mentira, Satanás, (Jo 8.44).

Porém, 40 anos depois, toda a verdade foi espontaneamente revelada pelas próprias fundadoras do espiritismo. Apesar de ter sido um acontecimento de imensa repercussão na época, esse fato é hoje quase totalmente desconhecido do povo brasileiro, inclusive da maioria dos espíritas. Daí a razão de o estarmos divulgando aqui, pois, segundo observou Álvaro Negromonte: “Há muitos espíritas de boa fé, honestos e retos, que servem à causa do espiritismo com dedicação, convictos de estarem com a verdade”. É necessário, portanto, que eles sejam eficientemente evangelizados pela mensagem bíblica, e pelo conhecimento dos fatos que passamos a apresentar a seguir.

A autenticidade dos documentos e das revelações que fazemos nesta matéria pode ser confirmada em cinco autores fidedignos: Álvaro Negromonte (1), Pascoal Lacroix (2), Boaventura Kloppenburg (3), Raphael Gasson (4) e Fernando Palmes (5).

Faz-se necessário, portanto, que todos tomem conhecimento do que realmente aconteceu em Hydesville. Como evangélicos, cumpramos nossa obrigação de “alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte...” (Lc 1.79).


UMA CARTA EXPLODE EM NOVA IORQUE.


Após trabalhar como médium durante 40 anos na divulgação do espiritismo, Margareth Fox Kane, uma de suas fundadoras, escreveu e enviou uma carta ao diretor do jornal novaiorquino New York Herald, de ampla circulação. O diretor leu-a e divulgou-a imediatamente. Publicada no dia 25 de maio de 1888, a carta teve, entre os milhares de leitores do Herald, o efeito de uma bomba nuclear explodindo em pleno centro da cidade de Nova Iorque. Ao comprarem o jornal, os espíritas mal acreditavam no que liam, pois o deus deste século lhes havia cegado o entendimento (II Co 4.4), e continua mantendo hoje milhões de pessoas na cegueira espiritual.

O conteúdo da carta as seguintes revelações: Margareth confessava ter ficado muito triste ao saber, através de uma reportagem lida naquele mesmo jornal, que sua irmã Kate fora vítima de uma desgraça. A carta não nos revela que desgraça fora essa, mas fica-se sabendo que o caso envolvera os dois filhos de Kate, os meninos Purdy e Henry.


“O ESPIRITISMO É UMA PRAGA”.


Em seguida, sem maiores cerimônias, a fundadora do espiritismo confessa: “O espiritismo é uma praga. Deus tem aposto sua marca contra ele. Chamo-o de praga, pois é utilizada para encobrir pessoas sem coração...”. Na seqüência de suas revelações, Margareth cita vários nomes de pessoas (inclusive, um ex-ministro de Portugal) que vivem sendo constantemente enganados pelos médiuns. (Segundo a concepção do espiritismo, médium é aquele ou aquela que serve de intermediário nas comunicações entre vivos e mortos). Esses médiuns, afirma a fundadora do espiritismo, “atiram loucamente as espetaculares fraudes que inundam Nova Iorque.”

As pessoas que procuram envolver-se com o espiritismo, continua Margareth, “tornaram-se loucas, e sob a direção de seus fraudulentos “médiuns” são induzidas a se despojar de todos os bens temporais ao mesmo tempo que do senso comum, que, na intenção de Deus, deveriam conservar como coisa sagrada.”

Antes de tecer algumas considerações sobre fanatismo e concluir a carta, Margareth torna a afirmar: “Seja qual for a forma a qual se apresente, o espiritismo tem sido e será sempre um a praga e uma armadilha para os que nele se metem. Homem algum ou mulher alguma de bom juízo pode pensar de outro modo.”


UMA REPORTAGEM ABALA O ESPIRITISMO.


Imediatamente, milhares de cartas começaram a ser enviadas à redação do jornal New York Herald, suplicando que Margarida desmentisse aquelas declarações. Outras pediam que as duas irmãs demonstrassem publicamente a falsidade do espiritismo, e lançassem por terra o renome de milhares de médiuns que estavam a se enriquecer às custas do povo.

Quatro meses após toda aquela agitação, Margareth voltou para os Estados Unidos. Ela havia escrito a famosa carta durante o curto período que passara morando na Inglaterra.

Logo após sua chegada, um repórter do jornal visitou-a em sua casa, na West Forty-Fourth Street, em Nova Iorque, e depois fez uma reportagem que mais uma vez causou agitação entre os espíritas e leitores em geral, sob o título: “Célebre médium declara que os espíritos nunca voltam”.

O repórter descreveu Margareth como “uma pequena e magnética senhora de meia idade, cujo rosto ostenta sinais muitos sofridos e de larga e universal experiência”. A médium contou ao repórter “a história de uma vida das mais estranhas e fantásticas que jamais foram narradas”.


KATE, UMA ALCOÓLATRA.


Através dessa reportagem, alguns pontos obscuros da carta foram esclarecidos. Ficamos sabendo, por exemplo, que, por razões morais, a Sociedade para a Prevenção de Crueldade às Crianças havia tirado os dois filhos de Kate de sua companhia, e esta fora detida sob a acusação de “negligenciar o cuidado dos seus filhos Purdy e Henry, devido à bebida e à preguiça”. Essa tinha sido “a tragédia que se abateu sobre minha irmã e os meus sobrinhos”, segundo se expressava Margareth na carta. Que belo exemplo dado por essas fundadoras do espiritismo! Uma alcoólatra, e a outra (também alcoólatra), mentirosa, como veremos a seguir.

Ao saber do que ocorrera à sua irmã e aos seus sobrinhos, Margareth (que estava na Inglaterra) fez algo que é marca registrada do espiritismo: enganou as autoridades de Nova Iorque enviando-lhes um telegrama em nome de um tipo paterno dos meninos, Edward Jencken (que estava na Rússia, e de nada sabia), onde este “assumia” a responsabilidade sobre as crianças. As autoridades acreditavam, devolveram os meninos à Kate e esta viajou com os filhos para a Inglaterra, a fim de entregá-los ao “tio Edward”, que não era outra pessoa senão a própria Margareth.

Eis o belo testemunho de credibilidade e idoneidade moral dada por essa fundadora do sistema religiosa que afirma ser a Verdade, a Terceira Revelação, “surgida na Terra para corrigir os erros e as omissões de Moisés e Jesus Cristo”, conforme afirmou Kardec! Diante desses fatos muitos esclarecedores são as palavras proféticas do apóstolo Paulo: “Porque já o ministério da injustiça opera com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira...”, (II Ts 2.7,9).


INICIADAS DESDE CRIANÇA NO ESPIRITISMO.


Baseando-se certamente nas declarações que Margareth fizera na famosa carta, o autor da reportagem pergunta: “Uma vez que a senhora abomina o espiritismo, como é que durante tanto tempo o praticou?” Em sua proposta, Margareth revela outros detalhes esclarecedores de toda essa história. Léia, a irmã mais velha de Kate e Margareth, as havia arrastado para as práticas enganosas do espiritismo, após descobrir que as meninas faziam o uso de certas “habilidades” e truques em suas brincadeiras para impressionar a mãe. “Ela é minha detestável inimiga”, desabafa Margareth referindo-se à sua irmã. “Eu a odeio. Meu Deus! Eu a envenenaria! Não, não faria isso, mas eu a açoitaria com a minha língua... Nossa irmã serviu-se de nós em suas exibições; ganhamos dinheiro para ela... Oh, estou atrás dela, sabe o senhor que se pode matar, às vezes, sem usar armas?”

Quem poderia ter inspirado à fundadora do espiritismo esse impulso assassino, essa propensão fratricida, senão o diabo, aquele que foi homicida desde o princípio...? (Jo 8.44).


“OS MORTOS NÃO VOLTAM”.


Dando continuidade às suas revelações, Margareth declarou ao repórter: “Sabia, então, que todos os efeitos por nós produzimos eram absolutamente fraudulentos. Ora, tenho explorado o desconhecido na medida em que uma criatura o pode. Tenho ido aos mortos procurando receber deles um pequeno sinal. Nada vem daí – nada, nada. Tenho estado junto às sepulturas, na calada da noite, com licença dos encarregados. Tenho me assentado sozinha sobre os túmulos, para que os espíritos daqueles que repousavam debaixo da pedra pudessem vir ter comigo. Nada! Não, não, não os mortos não hão de voltar, nem aqueles que caem no inferno. Assim diz a Bíblia Sagrada, e eu digo também. Os espíritos não voltam. Deus nunca o ordenou.”

Estas afirmações estão de acordo com o que a Bíblia, o Livro da Verdade, declara: “Aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disto o juízo”, (Hb 9.27). Se os mortos não voltam, quem é então responsável por esses fenômenos do espiritismo, por essas manifestações de “espíritos de mortos” nas sessões espíritas? É Satanás e seus “espíritos auxiliares”, os demônios. Para enganar a todos, ele faz qualquer coisa, transformando-se em espírito de luz, (II Co 11.17).

Finalizando a entrevista, Margareth surpreende o repórter demonstrando como “o fantasma batedor” havia entrado em contato com sua irmã, e como elas, há 40 anos, enganavam a todos. Subitamente uma pancada seca ecoa sob o assoalho, próximo ao lugar onde o repórter se encontrava; outra pancada faz-se ouvir debaixo da cadeira onde ele estava sentado, e outra debaixo da mesa. Várias pancadas começam a ser ouvidas debaixo do piano, e próximo à porta da sala. “É tudo um truque?” pergunta o jornalista. “Internamente”, responde Margareth. “Não é fácil enganar?”

Diante de certas perguntas do repórter, ela responde: “Sim, sim, atinou com a coisa. É como diz, a maneira como as juntas do pé são empregadas sem levantá-lo do chão. A capacidade de fazer isso só pode ser adquirida pela prática iniciada quando ainda muito jovem.”


KATE TAMBÉM FAZ SUAS DECLARAÇÕES.


Dezesseis dias após a publicação dessa retumbante reportagem, o jornal New York Herald publicou outra, sob o título: “A mais jovem das pioneiras dentre as médiuns vai desmascarar.” Lendo-se esse documento jornalístico, fica-se sabendo que os espíritas, aflitos diante das declarações de Margareth, haviam-lhe oferecido uma vultosa quantia em dinheiro para que ela negasse o que dissera e se calasse. Mas ela, indignada, não aceitaria o dinheiro, nem se calara.

Em resumo, as declarações de Kate ao repórter que a entrevistou foram as seguintes: “Não me importo com o espiritismo. No que me concerne, acabei com isso. E direi: considero-o uma das maiores pragas que o mundo jamais conheceu... Não hesitaria um momento em desmascará-lo. O espiritismo é fraude do princípio ao fim. E é a maior impostura do século.”

“E quanto às manifestações de Hydesville em 1848 e aos ossos encontrados na adega, e o mais?” pergunta o repórter. “Tudo fraude, sem exceção”, afirma Kate.


O GOLPE DE MORTE NO ESPIRITISMO.


Finalmente, no dia 21 de outubro de 1888, Margareth cumpriu o que vinha prometendo já há algum tempo: demonstrou na Academia de Música de Nova York, diante de milhares de pessoas - entre elas, centenas de homens e mulheres declaradamente espíritas -, que as batidas e toda aquela história que marcou o início do espiritismo não tinham sido produzidas por nenhum fantasma, e sim por elas, as irmãs Margareth e Kate Fox.

Eis a notícia que o jornal World, de Nova Iorque, publicou no dia seguinte à demonstração de Margareth:

“Um simples tamborete ou mesinha de madeira, descansando sobre quatro pés curtos e tendo as propriedades de uma caixa de ressonância foi colocada diante dela. Tirando o calçado, colocou o pé direito sobre esta mesinha. Os assistentes pareciam conter a respiração, e esse grande silêncio foi recompensado por uma quantidade de estalidos breves e sonoros – os tais sons misteriosos que, por mais de 40 anos, têm assustado e desorientado centenas de milhares de pessoas, em nosso país e na Europa”.

“Uma comissão, composta de três médicos convocados entre os assistentes, subiu então ao palco e, examinando o pé durante o som das “pancadinhas”, concordou, sem hesitar, que os sons eram produzidos pela ação da primeira junta do dedo grande do pé.” (Jornal World, Nova Iorque, 22/10/1889).


O TRISTE FIM DAS IRMÃS FOX.


Em junho de 1892, morreu Margareth Fox, viúva, solitária, moralmente degradada e afundada no vício do álcool. Após haver declarado e provado, a falsidade do espiritismo, ela não procurou aquele que poderia ter libertado totalmente dele: Jesus Cristo, Filho de Deus. “Se pois o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”, (Jo 8.36). Margareth confessara suas transgressões, não a Jesus Cristo, mas aos seres humanos. Após confessá-las, ela não as abandonou, como aconselha o livro de Provérbios (28.13), quando então alcançaria misericórdia. Margareth partiu para a eternidade trilhando caminhos sombrios.

Sua irmã Kate morreu nas mesmas condições deploráveis: moralmente degradas e vítima do álcool.

Dias antes de sua morte, o jornal Washington Darly Star (de 07/03/1983) descreveu-a como uma “verdadeira ruína mental e física; essa mulher vive de caridade pública e só tem apetite para os licores intoxicantes... Esses lábios que, hoje, só articulam banalidades, promulgaram outrora a doutrina de uma ‘religião nova’, que ainda seus aderentes e seus admiradores por dezenas de milhares”. Fiel é a Bíblia ao afirmar que “o salário do pecado é a morte...” (Rm 6.23).

Quanto à Leah, a terceira das irmãs pioneiras do espiritismo, seu fim não foi dos mais honrosos. O escritor italiano Antonelli, no livro “Storia dello Spiritismo”, página 10, afirma que Léia, alegando estar cumprindo ordem de um “espírito de luz” abandonou o marido e foi viver com outro homem. Que “anjo de luz” é esse que leva os seres humanos a praticarem as obras das trevas?


Esta história das fundadoras do espiritismo moderno. Os líderes e doutrinadores dessas práticas condenadas por Deus evitam fazer comentários sobre essa história, pois ela fala mais alto do que qualquer argumento que possamos utilizar para provar que o espiritismo foi inspirado pelo pai da mentira, (Jo 8.44).

Lamentavelmente o Brasil é o país que possui o maior número de espíritas e praticantes de cultos de origem africana em todo o mundo.

Portanto, sobre os ombros da comunidade evangélica brasileira pesa a responsabilidade de evangelizar, eficientemente, os milhões de pessoas que vivem aprisionadas por essas práticas enganosas.


Cumpramos o Grande Mandamento (IDE) de Jesus, segundo Marcos 16.15.

sábado, 21 de novembro de 2009

O ABSURDO DA VIDA SEM DEUS

Dr.William Lane Craig

O ser humano, escreve Loren Eisley, é o órfão cósmico. Ele é a única criatura no universo que pergunta: “Por quê?” Os outros animais têm instintos para guiá-los, mas o ser humano aprendeu a fazer perguntas.

“Quem sou eu”, pergunta o ser humano. “Por que estou aqui? Para onde estou indo?” Desde o iluminismo, quando se desvencilhou das amarras da religião, o ser humano tentou responder a essas perguntas sem fazer referência a Deus. Só que as respostas que vieram não foram alegres, mas escuras e terríveis. “Você é o subproduto acidental da natureza, um resultado de matéria mais tempo mais mudança. Não há razão para a sua existência. A morte é tudo o que você tem pela frente.”

O homem moderno pensou que, depois que se livrou de Deus, tinha ficado livre de tudo o que o reprimia e sufocava. Em vez disso, descobriu que, ao matar Deus, matara também a si próprio. Isso porque, se não há Deus, a vida humana é um absurdo.

Se Deus não existe, tanto o ser humano quanto o universo estão inevitavelmente condenados à morte. O ser humano, como todos os organismos biológicos tem de morrer. Sem esperança de imortalidade, sua vida apenas caminha para o túmulo. Sua vida não passa de uma faísca na escuridão infinita, uma fagulha que aparece, reluz e morre para sempre. Comparada com a extensão infinita do tempo, a duração da vida do ser humano é apenas um momento infinitesimal; mesmo assim, isso é tudo da vida que ele jamais conhecerá. Por isso, cada um tem de defrontar-se com o que o teólogo Paul Tilich chamou de “a ameaça de não ser”. Pois apesar de eu saber que existo, que estou vivo, também sei que algum dia não existirei mais, que não serei mais, que morrerei. Esse pensamento é assustador e ameaçador: pensar que a pessoa que chamo de “eu” deixará de existir, que eu não serei mais!

Recordo perfeitamente a primeira vez que meu pai me disse que um dia eu haveria de morrer. De algum modo, quando criança esse pensamento nunca me havia ocorrido. Quando ele o disse, fiquei cheio de temor e de tristeza insuportável. E apesar de ele tentar várias vezes garantir-me que isso ainda estava muito distante, isso não me parecia importar. Mais cedo ou mais tarde, o fato inegável era que eu morreria e não existiria mais, e esse pensamento tomou conta de mim. Depois de algum tempo, como todos nós, cresci e simplesmente aceitei o fato. Aprendemos a conviver com o que é inevitável. Mas as impressões da crianças continuam verdadeiras. Como observou o existencialista francês Jean-Paul Sartre, algumas horas ou alguns anos não fazem diferença, uma vez que você perdeu a eternidade.

Venha cedo ou tarde, a perspectiva de morte e a ameaça de não ser é um horror terrível. Contudo, certa vez encontrei um estudante que não sentia essa ameaça. Ele disse que fora criado numa fazenda e estava acostumado a ver os animais nascer e morrer. A morte para ele era simplesmente natural – parte da vida, por assim dizer. Fiquei perplexo com nossas diferentes perspectivas da morte e tive dificuldades para compreender por que ele não sentia a ameaça de não ser. Anos mais tarde, creio que encontrei a resposta lendo Sartre. Ele observou que a morte não é ameaçadora enquanto a vemos como a morte do outro, de certo modo da perspectiva da terceira pessoa. É somente quando a interiorizamos e olhamos do ponto de vista de primeira pessoa – “minha morte; eu vou morrer” – que a ameaça de não ser se torna real. Sartre mostra que muitas pessoas nunca assumem essa perspectiva de primeira pessoa em meio à vida; pode-se até olhar para a própria morte da perspectiva da terceira pessoa, como se fosse a morte de outro ou até de um animal, como fez o meu amigo estudante. O significado existencial verdadeiro da minha morte, contudo, só pode ser entendido do ponto de vista de primeira pessoa, quando compreendo que vou morrer e deixar de existir para sempre. Minha vida é apenas uma transição momentânea entre um esquecimento e outro.

O universo também encara a morte. Os cientistas nos dizem que o universo está em expansão, e que tudo que há nele está ficando cada vez mais distante. Com isso ele fica cada vez mais frio, e sua energia vai se gastando. Um dia todas as estrelas perderão seu calor e toda matéria se tornará em estrelas mortas e buracos negros. Não haverá mais luz, não haverá mais calor, não haverá mais vida, apenas estrelas e galáxias mortas, sempre se expandindo em trevas sem fim e extremidades frias do espaço – um universo em ruínas. Todo o universo se encaminha de modo irreversível para o túmulo. Assim, não só a vida de cada pessoa está condenada; toda a raça humana está condenada. O universo está se precipitando em direção à extinção inevitável – a morte está encravada em toda a sua estrutura. Não há escapatória. Não há esperança.

O ABSURDO DA VIDA SEM DEUS E SEM IMORTALIDADE

Se não há Deus, o ser humano e o universo estão condenados. Como prisioneiros condenados à morte, esperamos nossa execução inevitável. Não há Deus, e não há imortalidade. E qual a conseqüência disso? Significa que a própria vida é um absurdo. Significa que a vida que temos não tem sentido fundamental, valor ou propósito. Vejamos esses três conceitos mais de perto.

Não há sentido fundamental sem imortalidade e sem Deus

Se cada pessoa deixa de existir quando morre, que sentido fundamental pode ser dado à sua vida? Realmente faz diferença se ela existiu? Pode ser dito que sua vida foi importante porque influenciou outros ou afetou o curso da história. Mas isso mostra apenas um significado relativo da sua vida, não um sentido fundamental. Sua vida pode ter importância relativa a certos acontecimentos, mas qual é o sentido fundamental desses acontecimentos? Se todos os acontecimentos não têm sentido, então que sentido fundamental pode haver em influenciá-los? No final das contas, não faz diferença.

Olhe para isso de outro ponto de vista: os cientistas dizem que o universo se originou de uma explosão que chamam de “Big Bang”, há mais ou menos 15 bilhões de anos. Imagine que o “Big Bang” nunca tenha ocorrido. Imagine que o universo nunca tenha existido. Que diferença fundamental isso faria? O universo está mesmo fadado a morrer. No fim, não faz diferença se ele realmente existiu ou não. Por isso ele não tem sentido fundamental.

O mesmo vale para a raça humana. A humanidade está condenada em um universo moribundo. Uma vez que um dia deixará de existir, não faz diferença fundamental se ela alguma vez existiu. A humanidade, assim, não tem mais importância do que um enxame de mosquitos ou uma vara de porcos, pois seu fim é idêntico. O mesmo processo cósmico cego que a vomitou no início um dia acabará por engoli-la.

O mesmo se aplica a cada pessoa. As contribuições dos cientistas para o avanço do conhecimento humano, as pesquisas dos médicos para aliviar dor e sofrimento, os esforços dos diplomatas para promover a paz no mundo, os sacrifícios de pessoas boas para melhorar a sorte da raça humana – tudo isso não dá em nada. No fim, não farão nenhuma diferença, nem um pouquinho. A vida de cada pessoa, portanto, não tem sentido fundamental. E se, no final das contas, nossa vida não tem sentido, as atividades com que a preenchemos também não têm sentido. As longas horas gastas em estudo na universidade, os empregos, os interesses, as amizades – tudo isso é, em última análise, totalmente sem sentido. É isto que apavora o homem moderno: já que ele acaba em nada, ele é nada.

Contudo, é importante perceber que o ser humano não precisa apenas de imortalidade para que sua vida faça sentido. A mera continuação da existência não dá sentido a essa existência. Se o ser humano e o universo pudessem existir para sempre, mas não houvesse Deus, sua existência ainda não teria sentido fundamental. Certa vez li uma história de ficção científica em que um astronauta foi abandonado em uma rocha deserta perdida no espaço sideral. Ele levava consigo dois frascos, um contendo veneno e outro, uma poção que o faria viver para sempre. Compreendendo seu predicamento, ele engoliu o veneno. Mas então, para seu horror, descobriu que abrira o frasco errado – bebera a poção da imortalidade. E isso significava que ele estava condenado a existir para sempre – numa vida sem sentido e sem fim. Muito bem; se Deus não existe, nossa vida é como a desse astronauta. Ela pode durar para sempre, e mesmo assim não ter sentido. Ainda poderíamos perguntar à vida: “E daí?” Portanto, o ser humano não precisa apenas de imortalidade para que sua vida tenha sentido fundamental; ele necessita de Deus e de imortalidade. E se Deus não existe, ele não tem nenhum dos dois.

O homem do século vinte veio a compreender isso. Leia Á espera de Godot, de Samuel Beckett. Durante toda essa peça, dois homens estão ocupados numa conversa trivial, enquanto esperam um terceiro que nunca aparece. Nossa vida é assim, Beckett está dizendo: simplesmente matamos o tempo esperando – o quê, não sabemos. Num trágico retrato do ser humano, Beckett escreveu outra peça em que a cortina se abre para mostrar o palco cheio de lixo. Por trinta longo segundos, a platéia olha atônita, em silêncio, para aquele lixo. Então a cortina se fecha. Isso é tudo.

Um dos romances mais devastadores que já li foi O lobo da estepe, de Hermann Hesse. No fim do romance, Harry Haller fica olhando para si mesmo em um espelho. No curso da sua vida ele experimentara tudo o que o mundo oferece. E agora está olhando para si mesmo, e resmunga: “Ah, o sabor amargo da vida!” Ele cospe em si mesmo no espelho e, depois o estilhaça com chutes. Sua vida foi fútil e sem sentido.

Os existencialistas franceses Jean-Paul Sartre e Albert Camus também compreenderam isso. Sartre retratou a vida em sua peça Sem saída como o inferno – a última linha da peça são as palavras resignadas: “Bem, continuemos com isso”. Por isso Sartre escreve em outro texto sobre a “náusea” da existência. Camus também considerava a vida absurda. No fim do seu curto romance O estranho, o herói de Camus descobre num lampejo de compreensão que o universo não tem sentido e que não existe um Deus que lhe dê sentido. O bioquímico francês Jacques Monod pareceu refletir os mesmos sentimentos quando escreveu em sua obra Acaso e necessidade: “O ser humano finalmente sabe que está sozinho na imensidão indiferente do universo”.

Portanto, se Deus não existe, a própria vida se torna sem sentido. O ser humano e o universo não têm sentido fundamental.

Não há valor fundamental sem imortalidade e sem Deus

Se a vida termina no túmulo, não faz diferença se nossa vida foi como a de Stalin ou a de um santo. Se nosso destino, no fim das contas, não tem relação com nossa conduta, cada um pode viver como quiser. Como Dostoyevsky disse: “Se não há imortalidade, todas as coisas são permitidas”. Com base nisso, um escritor como Ayn Rand está totalmente correto em louvar as virtudes do egoísmo. Viva totalmente para si; você não deve satisfações a ninguém! Na verdade, seria tolice viver de qualquer outra forma, porque a vida é curta demais para desperdiçá-la agindo de outra forma a não ser em interesse próprio. Sacrificar-se por outra pessoa seria burrice. Kai Nielsen, filósofo ateu que tenta defender a viabilidade da ética sem Deus, no fim admite:

Não fomos capazes de mostrar que a razão requer o ponto de vista moral, ou que todas as pessoas realmente racionais, não predispostas por mitos ou ideologias, precisam ser indivíduos egoístas ou amoralistas clássico. Não é a razão que decide aqui. O quadro que pintei para você não é bonito. A reflexão sobre ele me deprime [...] A pura razão prática, mesmo com um bom conhecimento dos fatos, não o levará à moralidade.[1]

O problema, porém, torna-se ainda pior. Porque, apesar da imortalidade, se não há Deus, não pode haver padrões objetivos do que é certo e errado. Tudo o que está diante de nós, nas palavras de Jean-Paul Sartre, é o fato nu e sem valor da existência. Os valores morais são simples expressões de gosto pessoal ou subprodutos da evolução e do condicionamento sócio-biológico.

Nas palavras de um filósofo humanista: “Os princípios morais que regem nossa conduta estão arraigados em hábitos e costumes, sentimentos e modas” [2] Num mundo sem Deus, quem dirá quais valores são corretos e quais são errados? Quem julgará que os valores de Adolf Hitler são inferiores aos de um santo? O conceito de moralidade perde todo o sentido num universo sem Deus. Um ético ateu contemporâneo disse: “Afirmar que algo é errado porque [...] é proibido por Deus é [...] perfeitamente compreensível para alguém que crê em um deus legislador. Mas dizer que algo é errado [...] apesar de não existir um deus que o proíba não é compreensível [...] O conceito de obrigação moral [é] incompreensível sem a idéia de Deus. As palavras permanecem mas seu sentido se foi.” [3] Em um mundo sem Deus, não pode haver certo e errado objetivos, somente nossos juízos subjetivos, cultural e pessoalmente relativos. Isso significa que é impossível condenar guerra, opressão ou crime como maus. Também não podemos louvar fraternidade, igualdade e amor como bons. Porque em um universo sem Deus, bem e mal não existem – existe apenas o fato nu e sem valor da existência, e não há ninguém para dizer que você está certo e eu errado.

Não há propósito fundamental sem imortalidade e sem Deus

Se a morte nos espera de braços abertos no fim do curso da nossa vida, qual é o objetivo da vida? Com que fim ela foi vivida? Tudo foi a troco de nada? Não há razão para a vida? E o que dizer do universo? Ele é completamente sem razão? Se seu destino é um túmulo frio nas extremidades do espaço sideral, a resposta tem de ser sim - ele não tem razão de ser. Não há alvo, não há propósito para o universo. O lixo de um universo morto simplesmente continuará a se expandir - para sempre.

E o ser humano? Será que existe algum propósito para a raça humana? Ou será que ela simplesmente desaparecerá algum dia perdida no esquecimento de um universo indiferente? O escritor inglês H. G. Wells anteviu essa perspectiva. Em seu romance A máquina do tempo, o viajante no tempo avança para

o futuro, a fim de descobrir o destino do ser humano. Tudo o que ele encontra é terra morta, com a exceção de alguns liquens e musgos, orbitando em torno de um gigantesco sol vermelho. Os únicos sons são o sopro do vento e o marulhar das ondas do oceano. “Com exceção desses sons sem vida”, escreve Wells, “o mundo estava em silêncio. Silêncio? Seria difícil descrever como tudo estava quieto. Todos os sons das pessoas, o balido das ovelhas, o canto dos pássaros, o zumbir dos insetos, o movimento que forma o pano de fundo da nossa vida - tudo havia passado”[4] E assim o viajante no tempo de Wells voltou para casa. Mas para quê? - para um mero ponto anterior na corrida em direção ao esquecimento. Quando eu, ainda nâo cristão, li o livro de Wells, pensei: “Não! Não! Não pode terminar assim!” Mas se não há Deus, o fim será esse, gostemos ou não. Esta é a realidade em um universo sem Deus: não há esperança, não há propósito. Isso me recorda os versos assustadores de T S. Eliot:

E assim que o mundo termina

E assim que o mundo termina

E assim que o mundo termina

Não com uma explosão; com um gemido.”[5]

O que se aplica à raça humana como um todo vale para cada um de nós individualmente: estamos aqui sem propósito. Se não há Deus, nossa vida não é qualitativamente diferente da de um cão. Sei que isso é duro, mas é verdade. O antigo escritor de Eclesiastes o disse assim: “O que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão” (Ec 3.19-20). Nesse livro, que se parece mais com uma peça da moderna literatura existencialista do que com um livro da Bíblia, o escritor mostra a futilidade de prazer, riqueza, educação, fama política e honra em uma vida fadada a terminar na morte. Qual é seu veredicto? “Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade” (Ec 1.2). Se a vida termina no túmulo, não temos um propósito fundamental para viver.

Mais que isso: mesmo se tudo não terminasse na morte, sem Deus a vida ainda seria sem propósito. O ser humano e o universo seriam simples acidentes do acaso, jogados na existência sem motivo. Sem Deus o universo é resultado de um acidente cósmico, uma explosão aleatória. Não há motivo pelo qual ele exista. Quanto ao ser humano, ele é um capricho da natureza - um produto às cegas de matéria mais tempo mais acaso. O ser humano não passa de uma massa gosmenta que evoluiu até a racionalidade. Não há mais propósito na vida para a raça humana do que para uma espécie de inseto; ambos são resultado da interação cega de acaso e necessidade. Um filósofo o disse assim: “A vida humana está posta sobre um pedestal subumano e tem de lutar sozìnha no centro de um universo silencioso e sem razão”[6]

O que vale para universo e a raça humana também se aplica a nós como indivíduos. Enquanto seres humanos individuais, somos o resultado de certas combinações de hereditariedade e ambiente. Somos vítimas de um tipo de roleta genética e ambiental. Os psicólogos que seguem Sigmund Freud nos dizem que nossas ações são resultados de várias tendências sexuais reprimidas. Os sociólogos que seguem B. E Skinner argumentam que todas as nossas escolhas são determinadas pelo condicionamento, de modo que a liberdade é uma ilusão. Biólogos como Francis Crick consideram o ser humano uma máquina eletroquímica que pode ser controlada alterando-se seu código genético. Se Deus não existe, você não passa de um aborto da natureza, jogado num universo sem propósito para levar uma vida sem propósito.

Portanto, se Deus não existe, isso significa que o ser humano e o universo existem sem nenhum propósito -já que o fim de tudo é a morte - e que vieram a existir sem nenhum propósito, já que são produtos cegos do acaso. Em resumo, a vida é totalmente sem razão.

Você consegue entender a gravidade das alternativas à nossa frente? Se Deus existe, há esperança para

o ser humano. Mas se Deus não existe, tudo o que nos resta é o desespero. Você compreende por que a pergunta da existência de Deus é tão vital para o ser humano? Como um escritor expressou muito bem: “Se Deus está morto, o ser humano também está”.

Infelizmente, a massa da humanidade não percebe esse fato. Ela continua a viver como se nada tivesse mudado. Recordo-me da história de Nietzsche sobre o louco que, nas primeiras horas da manhã, corre pelo mercado com um lampião na mão, exclamando: “Procuro Deus! Procuro Deus!” Como muitos à sua volta não crêem em Deus, ele provoca muitos risos. “Deus se perdeu?”, zombam dele. “Ou se escondeu? Ou foi viajar ou emigrou!” E riem alto. Então, escreve Nietzsche, o louco pára no meio deles e crava-lhes o olhar:

“Onde está Deus?”, ele grita. “Eu lhes direi. Nós o matamos - vocês e eu. Todos nós somos seus assassinos. E como fizemos isso? Como pudemos beber o mar? Quem nos deu a esponja para apagar todo o horizonte? O que fizemos quando desamarramos esta terra do seu sol? Para onde ela está se movendo agora? Para longe de todos os sóis? Não estamos caindo sem parar? Para trás, para os lados, para a frente, em todas as direções? Restou alguma coisa em cima ou embaixo? Não estamos vagando como que por um nada infinito? Não estamos sentindo a respiração do espaço vazio? Não ficou mais frio? Não está chegando cada vez mais a noite? Não estamos tendo de acender lampiões de manhã? Não ouvimos apenas o barulho dos coveiros que estão sepultando a Deus? ([...]Deus está morto [...]. E nós o matamos. Como nós, os maiores de todos os assassinos, iremos consolar a nós mesmos?”[7]

A multidão ficou fitando o louco em silêncio e perplexidade. Por fim, ele coloca o lampião no chão e disse: “Cheguei muito cedo, esse acontecimento incrível ainda está a caminho - ainda não atingiu os ouvidos do ser humano”. O ser humano ainda não compreendera realmente as conseqüências do que fizera ao matar a Deus. Mas Nietzsche predisse que um dia as pessoas entenderiam as implicações do seu ateísmo; e essa percepção daria início a uma era de niilismo - a destruição de todo significado e valor da vida. O fim do cristianismo, escreveu Nietzsche, significa o advento do niilismo. Esse mais terrível de todos os hóspedes já está à porta. “Toda a nossa cultura européia está há algum tempo em movimento”, escreveu Nietzsche, “numa tensão torturante que está crescendo a cada década, como na iminência de uma catástrofe: sem descanso, com violência, precipitado, como um rio que quer chegar ao fim, que não reflete mais, que tem medo de refletir”[8].

A maioria das pessoas ainda não reflete sobre as conseqüências do ateísmo, e assim, como a multidão no mercado, continua seu caminho sem saber. Mas quando entendemos, como Nietzsche, o que o ateísmo implica, essa pergunta fará grande pressão sobre nós: como nós, os maiores assassinos, consolaremos a nós mesmos?

A IMPOSSIBILIDADE PRÁTICA DO ATEÍSMO

Quase a única solução que um ateu pode oferecer é que enfrentemos o absurdo da vida e vivamos com coragem. Bertrand Russell, por exemplo, escreveu que temos de construir nossa vida sobre “o firme fundamento do desespero incessante”[9]. Somente reconhecendo que o mundo é realmente um lugar terrível é que podemos lidar bem com essa vida. Camus disse que devemos reconhecer honestamente o absurdo da vida e depois viver com amor uns pelos outros.

O problema fundamental com essa solução, porém, é que é impossível viver de modo coerente e feliz com uma cosmovisão assim. Quem vive de modo coerente, não será feliz; quem vive de modo feliz, apenas o é porque não é coerente. Francis Schaeffer explicou bem esse ponto. Ele. diz que o homem moderno mora em um universo de dois andares. No andar de baixo está o mundo finito sem Deus; ali a vida é um absurdo, como vimos. No andar de cima estão sentido, valor e propósito. Muito bem, o homem moderno mora no andar de baixo porque acredita que Deus não existe. Só que não pode viver feliz num mundo absurdo; por isso, constantemente dá saltos de fé para o andar superior para afirmar sentido, valor e propósito, apesar de não ter direito a isso por não crer em Deus. O homem moderno é totalmente incoerente quando dá o seu salto, porque esses valores não existem sem Deus, e o ser humano no andar de baixo não tem Deus.

Olhemos mais uma vez, então, cada uma dessas três áreas em que vimos que a vida sem Deus é um absurdo, para mostrar como o ser humano não pode viver de modo coerente e feliz com seu ateísmo.

O sentido da vida

Primeiro, a área do sentido. Vimos que, sem Deus, a vida não _tem sentido. Todavia, os filósofos continuam vivendo como se a vida tivesse sentido. Por exemplo, Sartre argumentou, que é possível criar sentido para a vida escolhendo livremente certo curso de ação. O próprio Sartre escolheu o marxismo.

Bem, isso é de uma incoerência completa. Não há coerência em dizer que a vida é objetivamente um absurdo e depois afirmar que se pode criar sentido para a vida. Se a vida é realmente um absurdo, o ser humano está preso no andar de baixo. Tentar criar sentido na vida significa saltar para o andar superior. Mas Sartre não tem base para dar esse salto. Sem Deus, não pode haver sentido objetivo na vida. O programa de Sartre é na verdade um exercício de auto-engano. O universo na verdade não adquire sentido só porque eu lhe atribuo algum sentido. Isso é fácil de ver: imagine que eu dou um sentido ao universo e você lhe dá outro. Quem tem razão? A resposta, claro, é nenhum dos dois. O universo sem Deus permanece sem sentido em termos obietivos, não importa como nós o consideremos. Sartre na verdade está dizendo: “Vamos fazer de conta que o universo tem sentido”. E isso equivale a enganar a si mesmo.

A questão é esta: se Deus não existe, a vida, em termos objetivos, não tem sentido; acontece que o ser humano não pode viver de modo coerente e feliz sabendo que a vida não tem sentido; assim, com o propósito de ser feliz, ele finge que a vida tem sentido. Isso, claro, é uma incoerência a toda prova pois, sem Deus, o ser humano e o universo não têm nenhum sentido real.

O valor da vida

Agora volte-se para o problema do valor. É aqui que ocorrem as incoerências mais flagrantes. Em primeiro lugar, os humanistas ateus são totalmente incoerentes ao afirmar os valores tradicionais de amor e fraternidade. Camus foi criticado com razão por defender de modo incoerente o absurdo da vida ao lado da ética do amor e da fraternidade humana. Esses dois elementos são logicamente incompatíveis. Bertrand Russell também foi incoerente. Apesar de ateu, era um destacado crítico social e denunciava a guerra e as restrições à liberdade sexual. Russell admitiu que não podia viver como se os valores éticos fossem uma simples questão de gosto pessoal, e que por isso não considerava suas próprias posições passíveis de se crer. “Não sei a solução”, confessou[10]. A questão é que, se não há Deus, não podem existir certo e errado objetivos. Como disse Dostoyevsky: “Todas as coisas são permitidas”.

Dostoyevsky, porém, também mostrou que o ser humano não pode viver dessa maneira. Ele não pode viver como se não houvesse problema algum no fato de soldados massacrarem crianças inocentes. Ele não pode viver como se não houvesse problema algum nos regimes ditatoriais que adotam um programa sistemático de tortura física de prisioneiros políticos. Ele não pode viver como se estivesse tudo bem com ditadores como Pol Pot, que exterminam milhões dos seus próprios compatriotas. Todo

o seu ser grita para dizer que esses atos são errados - realmente errados. Mas se não há Deus, ele não pode fazer isso. Então, ele dá um salto de fé e afirma esses valores mesmo assim. E ao fazê-lo, revela a inadequação de um mundo sem Deus.

O horror de um mundo sem valores ficou claro para mim, e com muito mais intensidade, há alguns anos quando assisti a um documentário da BBC na televisão chamado “A reunião”. Era sobre sobreviventes do Holocausto que se encontraram em Jerusalém, onde redescobriram amizades perdidas e compartilharam suas experiências. Bem, eu já havia ouvido histórias do Holocausto e até visitara Dachau e Buchenwald, e pensava que não me chocaria com mais histórias de horror. Mas descobri que estava enganado. Talvez eu estivesse mais sensível por causa do nascimento recente da nossa linda filha, transferindo-lhe as situações relatadas na televisão. Seja como for, uma prisioneira, enfermeira, contou como fora transformada em ginecologista em Auschwitz. Ela observou que as mulheres grávidas eram agrupadas por soldados sob a direção do Dr. Mengele e abrigadas nos mesmos barracões. Passado algum tempo, ela notou que não via mais nenhuma daquelas mulheres. Começou então a fazer perguntas: “Onde estão as mulheres grávidas que foram colocadas naqueles barracões?” “Você não sabe?”, foi a resposta. “O Dr. Mengele as usou para vivisseção“.

Outra mulher contou como Mengele enfaixara seus seios para que não pudesse amamentar seu bebê. O médico queria saber quanto tempo um bebê podia sobreviver sem alimento. Desesperada, essa pobre mulher tentou manter seu bebê vivo dando-lhe pedaços de pão molhados no café, mas sem resultado. A cada dia ele perdia peso, fato acompanhado com precisão pelo Dr. Mengele. Então uma enfermeira veio em segredo dizer a essa mulher: “Dei um jeito de você sair daqui, mas você não pode levar seu bebê. Eu trouxe uma injeção de morfina para você pôr fim à vida dele”. Diante dos protestos da mulher, a enfermeira foi insistente: “Veja, seu bebê vai morrer de qualquer jeito. Pelo menos salve a si mesma”. E assim aquela mãe tirou a vida do seu próprio filho. O Dr. Mengele ficou furioso quando soube do fato porque perdera sua cobaia, e procurou entre os cadáveres até achar o corpo do bebê para poder pesá-lo pela última vez.

Fiquei arrasado com essas histórias. Um rabino que sobreviveu ao campo fez um bom resumo de tudo, quando disse que em Auschwitz era como se existisse um mundo em que os Dez Mandamentos haviam sido invertidos. A raça humana nunca havia testemunhado um inferno como aquele.

Mesmo assim, se Deus não existe, em certo sentido nosso mundo é um Auschwitz: não há certo nem errado absolutos; todas as coisas são permitidas. No entanto, nem o ateu nem o agnóstico podem viver de modo coerente com essa postura. O próprio Nietzsche, que proclamou a necessidade de viver “além do bem e do mal”, rompeu com seu mentor Richard Wagner exatamente por causa da questão do antisemitismo e do nacionalismo germânico estridente do compositor. De modo semelhante, Sartre, escrevendo logo depois da Segunda Guerra Mundial, condenou o anti-semitismo, declarando que uma doutrina que leva ao extermínio não é uma mera opinião ou questão de gosto pessoal, de igual valor do seu oposto[11]. Em seu importante estudo “O existencialismo é um humanismo”, Sartre luta em vão para disfarçar a contradição entre sua negação de valores divinamente pré-estabelecidos e seu desejo urgente de afirmar o valor dos seres humanos. A exemplo de Russell, ele não conseguia conviver com as implicações da sua própria negação dos absolutos éticos.

Um segundo problema é que, se Deus não existe e não há imortalidade, todos os atos maus das pessoas ficam sem punição e todos os sacrifícios das pessoas boas ficam sem recompensa. Quem pode viver com essa postura? Richard Wurmbrand, que foi torturado em prisões comunistas por sua fé, afirma:

A crueldade do ateísmo é difícil de aceitar para quem não crê na recompensa do bem ou na punição do mal. Não há razão para sermos humanos. Não há impedimento para a profundidade do mal no ser humano. Os torturadores comunistas diziam muitas vezes: “Deus não existe, não existe além, não existe punição para o mal. Podemos fazer o que quisermos”. Ouvi um torturador chegar a dizer: “Agradeço a Deus, em quem não creio, por poder viver até essa hora em que posso expressar todo o mal que há em meu coração”. Ele expressava isso com brutalidade e tortura inacreditáveis infligidas aos prisioneiros.[12]

O teólogo inglês Cardeal Newman disse certa vez que, se acreditasse que todos os males e injustiças da vida em toda a história não serão corrigidos por Deus na vida do além, “bem, acho que eu ficaria louco”. E com razão.

O mesmo se aplica a atos de auto-sacrifício. Há alguns anos ocorreu um terrível desastre aéreo durante o inverno, em que um avião que saiu de Washington, nos Estados Unidos, bateu em uma ponte sobre o rio Potomac e arremessou os passageiros na água gelada. Quando chegaram os helicópteros de resgate, a equipe de salvamento percebeu que havia um homem que ficava jogando a escada de cordas para outros passageiros, em vez de se deixar puxar para a segurança do helicóptero. Seis vezes ele jogou a escada para outros. Na sétima vez que a escada desceu, ele não estava mais lá. Dera a sua vida espontaneamente, para que outros pudessem viver. Toda a nação voltou os olhos para esse homem em respeito e admiração pelo ato de bondade e altruísmo. Mesmo assim, se o ateu tem razão no que afirma, aquele homem não fez nada de nobre - ele fez a coisa mais estúpida possível. Ele devia ter se lançado em direção à escada e até empurrado os outros, se necessário, a fim de sobreviver. Mas morrer por gente que ele nem conhecia, desistir da breve existência que ainda lhe restava - para quê? Para um ateu, não pode haver razão que justifique tal ato. Mesmo assim, o ateu, como qualquer um de nós, instintivamente reage com louvor a esse ato desinteressado do homem. De fato, provavelmente nunca encontraremos um ateu que viva em coerência com seu sistema. Pois um universo sem responsabilidade moral e sem valores é incalculavelmente terrível.

O propósito da vida

Por último, vejamos o problema do propósito na vida. As únicas duas maneiras pelas quais a maioria das pessoas que negam o propósito da vida podem viver feliz é inventando um propósito, o que equivale ao auto-engano como vimos em Sartre, ou não levando sua posição às conclusões lógicas. Observe o problema da morte como exemplo. De acordo com Ernst Bloch, a única maneira pela qual o homem moderno pode viver em face da morte é valendo-se inconscientemente da crença na imortalidade que seus antepassados tinham, mesmo sem ter ele mesmo base para essa crença, já que não crê em Deus. Bloch constata que a crença de que a vida termina em nada dificilmente é, em suas palavras, “suficiente para manter a cabeça erguida e trabalhar como se não houvesse fim”. Ao se valer dos resquícios de uma crença na imortalidade, escreve Bloch, “o homem moderno não sente o abismo que o cerca por todos os lados e com certeza acabará por tragá-lo. Com esses resquícios, ele salva seu senso de identidade própria. Por meio deles surge a impressão de que o ser humano não está perecendo, mas apenas um dia o mundo terá o capricho de não mais se mostrar a ele”. Bloch conclui: “Essa coragem bastante superficial saca de um cartâo de crédito emprestado. Ela vive de esperanças anteriores e da sustentação que elas antigamente proporcionavam”[13]. O homem moderno não tem mais o direito a tal sustentação, já que rejeita a Deus. Mas, a fim de viver com propósito, dá um salto de fé para afirmar uma razão para a vida.

Encontramos freqüentemente a mesma incoerência entre aqueles que dizem que o ser humano e o universo vieram a existir sem qualquer razão ou propósito, apenas por acaso. Incapazes de viver em um universo impessoal em que tudo é produto do acaso cego, essas pessoas começam a atribuir personalidade e motivos aos próprios processos físicos. Essa é uma maneira bizarra de falar e representa um salto do andar de baixo para o de cima. Por exemplo, os brilhantes físicos russos Zeldovich e Novikov, ao contemplar as propriedades do universo, perguntam por que a “natureza” decidiu criar esse tipo de universo e não outro. “Natureza” obviamente se tornou um tipo de substituto de Deus, preenchendo o papel e a função de Deus. Francis Crick, no meio do seu livro The origin of the genetic code, começa a escrever “natureza” com N maiúsculo, e em outras passagens diz que a seleção natural é “inteligente” e que “pensa” no que fará. Fred Hoyle, astrônomo inglês, atribui ao próprio universo as qualidades de Deus. Para Carl Sagan, o “cosmos”, que ele sempre escreve com C maiúsculo, obviamente tem o papel de um substituto de Deus. Apesar de todos esses homens professarem não crer em Deus, eles contrabandeiam um substituto de Deus pela porta dos fundos, porque não suportam viver em um universo em que tudo é resultado do acaso de forças impessoais.

E é interessante ver muitos pensadores traírem suas posições quando são empurrados em direção às suas conclusões lógicas. Por exemplo, certas feministas levantaram uma tempestade de protestos contra a psicologia freudiana porque é machista e degradante para as mulheres. Então alguns psicólogos abaixaram a cabeça e revisaram suas teorias. Acontece que isso é totalmente incoerente. Se a psicologia freudiana é realmente verdadeira, não importa se ela degrada as mulheres. Você não pode mudar a verdade porque não gosta de suas conclusões. Contudo, as pessoas não conseguem viver coerentes e felizes em um mundo onde outras pessoas são desvalorizadas. Se Deus, porém, não existe, ninguém tem valor. Somente se Deus existe alguém pode com coerência apoiar os direitos das mulheres. Pois se Deus não existe, a seleção natural dita que quem é dominante e agressivo na espécie é o macho. As mulheres não poderiam ter mais direitos do que uma cabra ou uma galinha. Na natureza, tudo o que existe está certo. Mas quem consegue conviver com essa postura? Ao que parece, nem mesmo os psicólogos freudianos, que traem suas teorias quando levados às suas conclusões lógicas.

Observe, também, o behaviorismo sociológico de alguém como B. F. Skinner. Essa posição leva ao tipo de sociedade imaginada em 1984, de George Orwell, em que o governo controla e programa os pensamentos de todo mundo. Se é possível fazer o cão de Pavlov salivar quando soa uma campainha, pode-se fazer o mesmo com um ser humano. Se as teorias de Skinner estão certas, não pode haver objeção para tratar as pessoas como os ratos na caixa de Skinner, que correm pelos labirintos atraídos por comida e impelidos por choques elétricos. De acordo com Skinner, todas as nossas noções são predeterminadas. E se Deus não existe, não se podem levantar objeções morais contra esse tipo de programação, pois o ser humano não é qualitativamente diferente de um rato, já que ambos são apenas matéria mais tempo mais acaso. Mas repito: quem consegue conviver com uma postura tão desumanizadora?

Ou, por fim, pense no determinismo biológico de alguém como Francis Crick. Sua conclusão lógica é que o ser humano é igual a qualquer outro espécime de laboratório. O mundo ficou horrorizado quando soube que em campos como Dachau os nazistas tinham usado prisioneiros para experimentos médicos em seres humanos. E por que não? Se Deus não existe, não pode haver objeções ao uso de pessoas como cobaias humanas. Um memorial em Dachau traz a inscrição Nie wieder - “nunca mais” - mas esse tipo de coisa continua acontecendo. Há alguns anos foi revelado que, nos Estados Unidos, várias pessoas haviam recebido de pesquisadores médicos drogas esterilizadoras, sem o conhecimento delas. Não temos nós de protestar que isso está errado - que o ser humano é mais que uma máquina eletroquímica? O fim dessa posição é o controle populacional em que os fracos e indesejados são eliminados para abrir espaço para os fortes. No entanto, a única base para podermos protestar com coerência é a existência de Deus. Somente se Deus existe pode haver propósito na vida.

Portanto, o dilema do homem moderno é realmente terrível. Enquanto se negarem a existência de Deus e a objetividade de valor e propósito, esse dilema continuará insolúvel também para o homem “pósmoderno”. Na verdade, é exatamente a consciência de que o modernismo conduz inevitavelmente ao absurdo e ao desespero que constitui a angústia da pós-modernidade. Em alguns sentidos, a pósmodernidade nada mais é que a percepção da falência da modernidade. A cosmovisão ateísta é insuficiente para proporcionar uma vida feliz e coerente. O ser humano não pode viver de modo coerente e feliz como se a vida no fim das contas não tivesse sentido, valor ou propósito. Se tentarmos viver de modo coerente dentro da cosmovisão ateísta, acabaremos profundamente infelizes. Se, porém, conseguirmos viver felizes, será apenas contradizendo nossa cosmovisão.

Confrontado com esse dilema, o ser humano procura pateticamente alguma escapatória. Num discurso marcante à Academia Americana para Desenvolvimento da Ciência, em 1991, o Dr. L. D. Rue, confrontado com o predicamento do homem moderno, defendeu corajosamente que enganemos a nós mesmos com alguma “Mentira Nobre” para que pensemos que nós e o universo ainda temos valor[14]. Ao afirmar que “a lição dos últimos dois séculos é que o intelectualismo e o relativismo moral são o problema”, o Dr. Rue especula que a conseqüência dessa constatação é que a busca da integralidade (ou realização) pessoal e a busca da coerência social se tornam independentes uma da outra. Isso é assim porque, em vista do relativismo, a busca da realização pessoal fica radicalmente individualizada: cada pessoa escolhe seu próprio conjunto de valores e significado. “Não existe uma explicação definitiva e objetiva do mundo ou da pessoa. Não existe um vocabulário universal para integrar cosmologia e moralidade.” Se quisermos evitar a “alternativa do hospício”, em que a realização pessoal é buscada à custa da coerência social, e a “alternativa totalitária”, em que a coerência social é imposta à custa da integralidade pessoal, não temos outra escolha senão adotar alguma Mentira Nobre que nos inspire a viver além dos interesses egoístas, para chegar à coerência social. Mentira Nobre “é aquela que nos engana, nos ilude, nos impele além do interesse próprio, além do ego, além de família, nação [e] raça”. E uma mentira porque nos diz que o universo é dotado de valor (o que é uma grande ficção), porque alega ser uma verdade universal (o que não existe) e porque me diz que não devo viver para os meus interesses (o que é obviamente falso). “Sem essas mentiras, no entanto, não conseguimos viver.”

Esse é o terrível veredicto pronunciado sobre o homem moderno. A fim de sobreviver, ele tem de viver enganando a si mesmo. Contudo, mesmo a alternativa da Mentira Nobre, no fim das contas, não funciona, porque, se o que eu disse até aqui está correto, a crença na Mentira Nobre seria necessária não apenas para atingir coerência social e integralidade pessoal para as massas, mas também para alcançar a própria integralidade pessoal. Isso porque ninguém pode viver de modo feliz e coerente com uma cosmovisão ateísta. A fim de sermos felizes, temos de crer em sentido, valor e propósito objetivos. Entretanto, como se pode crer nessas Mentiras Nobres e ao mesmo tempo crer em ateísmo e relativismo? Quanto mais convencido se estiver da necessidade de uma Mentira Nobre, menos se será capaz de crer nela. Como um placebo, uma Mentira Nobre funciona apenas para aqueles que acreditam que ela é a verdade. Uma vez que desmascaremos a ficção, a Mentira perde seu poder sobre nós. Assim, por ironia, a Mentira Nobre não pode solucionar o predicamento humano em todos aqueles que compreenderam esse predicamento.

A alternativa da Mentira Nobre, portanto, na melhor das hipóteses conduz a uma sociedade em que um grupo elitista de illuminati engana as massas em proveito próprio, perpetuando a Mentira Nobre. Mas por que os que estamos iluminados deveríamos seguir as massas em sua ilusão? Por que haveríamos de sacrificar o interesse próprio por uma ficção? Se a grande lição dos últimos dois séculos é o relativismo moral e intelectual, por que fingir (se pudéssemos) que não sabemos essa verdade e, em lugar disso, viver uma mentira? Se alguém responder: “Por amor à coerência social”, podemos legitimamente perguntar por que deveria eu sacrificar meu interesse social por amor à coerência social? A única resposta que o relativista pode dar é que a coerência social é do meu interesse - mas o problema com essa resposta é que o interesse próprio e o interesse do rebanho nem sempre coincidem. Além disso, se (por interesse próprio) eu me importo com a coerência social, a alternativa totalitária sempre está aberta para mim: esquecer a Mentira Nobre e manter a coerência social (assim como a minha realização pessoal) à custa da integralidade pessoal das massas. Gerações de líderes soviéticos que enalteciam virtudes proletárias enquanto circulavam em limusines e jantavam caviar em suas dachas ou casas de campo acharam essa alternativa bastante interessante. Rue sem dúvida consideraria essa alternativa repugnante. Mas nisso é que está o problema. O dilema de Rue é que ele obviamente valoriza tanto a coerência social quanto a integralidade pessoal por amor a ambas; em outras palavras, elas são valores objetivos, o que, de acordo com a sua filosofia, não existe. Ele já saltou para o andar superior. A alternativa da Mentira Nobre, portanto, afirma o que nega e refuta a si mesma.

O SUCESSO DO CRISTIANISMO BÍBLICO

Entretanto, se o ateísmo fracassa nesse aspecto, o que dizer do cristianismo bíblico? De acordo com a cosmovisão cristã, Deus existe, e por isso a vida do ser humano não termina no túmulo. No corpo ressurreto, o ser humano pode gozar da vida eterna em comunhão com Deus. O cristianismo bíblico, portanto, proporciona ao ser humano as duas condições necessárias para uma vida com sentido, valor e propósito: Deus e a imortalidade. Por causa disso, podemos viver de modo coerente e feliz. Assim, o cristianismo bíblico é bem sucedido exatamente onde o ateísmo fracassa.

CONCLUSÃO

Agora quero deixar claro que ainda não demonstrei que o cristianismo bíblico é verdadeiro. O que fiz foi enunciar claramente as alternativas. Se Deus não existe, a vida é inútil. Se o Deus da Bíblia existe, a vida tem sentido. Somente a segunda dessas duas alternativas nos possibilita viver felizes e coerentes. Por isso, parece-me que, mesmo que as evidências para essas duas alternativas fossem exatamente iguais, uma pessoa racional haveria de escolher o cristianismo bíblico. Parece-me positivamente irracional preferir morte, ausência de sentido e destruição em lugar de vida, sentido e felicidade. Como disse Pascal, não temos nada a perder e ganhamos o infinito.

Extraído do livro “A Veracidade da Fé Cristã”, William Lane Craig, Editora Vida Nova.

NOTAS

  1. Kai NIELSEN, “Why should I be moral?”, em American Philosophical Quarterly 21 (1984): 90.
  2. Paul KURTZ, Forbidden fruit. Buffalo/NY, Prometheus, 1988, p. 73.
  3. Richard TAYLOR, Ethics, faith, and reason. Englewood Cliffs/NJ, Prentice Hall, 1985, p. 90. 84.
  4. H. G. WELLS, The time machine. Nova York, Berkeley, 1957, cap. 11.
  5. T S. ELIOT, “The hollow men”, em Collected poems 1909-1962. Nova York, Harcourt, Brace, Jovanovitch, Inc., 1934. Citado com permissão do editor.
  6. W. E. HOCKING, Types ofphilosophy. Nova York, Scribner’s, 1959, p. 27.
  7. Friedrich NIETZSCHE, “The gay science”, em The portable Nietzsche, ed. e trad. por W. Kaufmann. Nova York, Viking, 1954, p. 95.
  8. Friedrich NIETZCHE, “The will to power”, trad. por W. Kaufmann, em Existentialism from Dostoyevsky to Sartre, 2″ ed. com introdução de W. Kaufmann. Nova York, New American Library, Meridian, 1975, p. 130-131.
  9. Bertrand RUSSELL, “A free man’s worship”, em Why I am not a Christian, ed. por P Edwards. Nova York, Simon & Schuster, 1957, p. 107.
  10. Bertrand RUSSELL, carta ao Observer, 6 de outubro de 1957.
  11. Jean Paul SARTRE, “Portrait of the antisemite”, trad. por M. Guiggenheim, em Existentialism, p. 330.
  12. Richard WURMBRAND, Tortured for Christ. Londres, Hodder & Stoughton, 1967, p. 34. 13. Ernst BLOCH, Das Prinzip Hoffnung, 2ª ed., 2 vols. Frankfurt, Suhrkamp, 1959, 2:360361.
  13. Loyal D. RUE, “The saving grace of noble lies”, palestra para a American Academy for the Advancement of Science, em fevereiro de 1991.

Sobre o autor: Willian Lane Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia da Universidade de Munique, e atualmente é professor-pesquisador de filosofia na Escola de Teologia Talbot. É membro de nove sociedades de profissionais, entre as quais a Academia Americana de Religião, a Sociedade de Literatura Bíblica e a Associação Filosófica Americana, e escreve artigos para New Testament Studies, Journal for the Study of the New Testament, Journal of the American Scientific Affiliation, Gospel Perspectives, Philosophy e outras publicações acadêmicas. Escreveu vários livros, entre eles A Veracidade da Fé Cristã e Filosofia e Cosmovisão Cristã (em co-autoria), ambos publicados pela Editora Vida Nova.